Fênix

Ontem vi o blog de um rapaz, chamado Páris Carraro e então me coloquei a refletir sobre perdas. A forma como o rapaz aborda seus textos me chamou a atenção como profissional da psicanálise, por ele apresentar uma linguagem confusa, característica de alguém que está passando por algum transtorno oriundo de alguma perda. Fato que, de fato, parece ser o caso do rapaz. Coloquei-me então a refletir sobre as perdas do ser humano. E, claro, sobre a forma como o ser humano encara as perdas que sofre. São muitas, o time de futebol que perdeu no final de semana, o dinheiro que perdeu no meio da rua, ou mesmo pagando  juros para os bancos. Perde-se tempo, perde-se entes queridos, perde-se a memória e perde-se alguns amores. A forma como cada um encara o sentimento de perda varia de pessoa para pessoa. Não há, nem nunca haverá, um tempo pré-estabelecido para a aceitação desse sentimento. O homem pode apresentar n. formas no processo de perda. Pode criar, por exemplo, mecanismos de auto defesa dentro do seu universo particular. Esses mecanismos são formas de amenizar o sentimento de vazio, causado pelas perdas e, também, formas de se auto-defender ante a situações que o coloquem novamente com a sensação. Um dos mecanismos que observo comumente é o de SUBSTITUIÇÃO. Esse caracteriza-se pela troca do algo/objeto perdido, por outra coisa a que se estimará valor. Desloca-se  o sentimento para um outro algo/objeto e a este preza novamente o zelo, cuidado. Outro mecanismo de auto defesa é a RACIONALIZAÇÃO, o indivíduo busca a coerência, seu consciente busca aquilo que seu inconsciente produz e ao meio disso o indivíduo tenta justificar  o motivo pelo qual tornou-se o perdedor. Na psicanálise esse é o mecanismo menos aceito, por não buscar sentido no sentimental e inconsciente, e sim, simplesmente na razão. Um outro mecanismo é o de FORMAÇÕES REATIVAS, nele o indivíduo toma  sentimento contrário ao seu motivo de perda, e desloca-se em ações contrárias a que, racionalmente, iria tomar. Uma defesa psíquica que é observada geralmente para proteção da perda, inconscientemente. O ISOLAMENTO é mais um mecanismo utilizado, nele o sentimento de perda é, de forma psíquica, isolada para a área “nula” do cérebro. Não se pensa na dor, na perda, no sentimento, todas essas características são deixadas de lado para defesa própria. Para as perdas em um profundo sentido crônico, o mecanismo utilizado é a REGRESSÃO. Técnica freudiana, utilizada há muitos anos, esse mecanismo coloca o indivíduo a par com sentimentos anteriormente ao sentimento de dor. Volta-se a sensações, saudades e sentimentos. O choque entre o antes, o momento presente e o depois, deixa o indivíduo frente a sua realidade e então o encoraja a enfrentar seus verdadeiros medos e sentimentos.

Para não mais me estender, o sentimento de perda transtorna o indivíduo, e o deixa capaz de tomar atitudes que somente o seu ego, ou o seu, passeiro interior, pode, com exatidão explicar, porém esse mesmo sentimento de perda é capaz de transformar o indivíduo para uma nova vertente, uma nova forma como este enxerga a vida em suas atitudes. A perda é capaz de transformar vidas e situações, e o homem é capaz de se adaptar a tais feitos. Tudo é uma questão de adaptação, transformação e percepção que o íntimo exige para se readaptar a nova realidade.

Até mais,

 

Dr. William

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